sidneyfigueiredo_casadoestudantedecaico_

Relato: Memórias daquele que pertence à Casa do Estudante de Caicó

Em Caicó, Cultura, Responsabilidade Social por RedaçãoDeixe um comentário

Durante a entrevista concedida na quarta-feira (20) à jornalista Gláucia Lima, Sidney Figueiredo abordou assuntos que vão além da real situação da Casa do Estudante de Caicó. Em relato comovente, ele pontuou o porquê de não desistir da árdua luta em mantê-la erguida, assim como a sua gratidão pela entidade. Confira na íntegra:

“Meus pais eram agricultores e não tinham condições financeiras de bancar meus estudos. Motivado em buscar oportunidades, cheguei até a Casa do Estudante que, na época, não tinha vagas. Ainda assim, passei três dias dormindo no corredor até que uma pessoa desistiu e eu ocupei o quarto que moro até hoje.

A partir disso, comecei a me empenhar nos estudos e conquistei algumas vitórias. A primeira foi quando passei no processo seletivo da Prefeitura de Caicó para ser motorista de ambulância, depois fiz magistério no Centro Educacional José Augusto (CEJA), prestei vestibular para Geografia e passei. Ainda assim, fui aprovado em outros concursos das cidades circunvizinhas: São Fernando, Jardim do Seridó, Ouro Branco e Carnaúba dos Dantas. Esta última onde trabalho nos dias atuais.

Tudo isso aconteceu graças à Casa do Estudante de Caicó, não fosse ela, provavelmente eu estaria ainda morando no sítio, assando xique-xique e limpando mato, sem nenhuma formação. Hoje além de formado, sou concursado. Essa minha luta é o mínimo que posso fazer em gratidão a tudo isso que ela – a Casa – me proporcionou. Não podemos desistir. O mesmo que aconteceu comigo, acontece com outros tantos.

A Casa do Estudante permite muitas possibilidades aos que nela moram, mas precisamos de apoio. Confio em Deus e sei que vai aparecer um político que reconheça a verdadeira importância da entidade. Afinal, ela forma profissionais e abre portas para quem deseja lutar por algo. Infelizmente a classe política é descomprometida conosco. Ninguém olha com a gratidão que a Casa merece. Então, eu peço que a percebam com mais carinho e atenção.

Eu quero deixá-la melhor do que quando a encontrei. Desde que fui empossado presidente, luto para que haja uma reforma como forma de vitalizá-la, mas sozinho não posso fazer muita coisa. Eu preciso dos políticos de Caicó, da região Seridó e do Estado como um todo para que eles nos ajudem a manter a Casa do Estudante digna de abrigar seus moradores”.

 

- Em tempo

Se quisermos efetivamente criar uma base de cidadãos comprometidos com o seu papel na sociedade, precisamos investir em educação. Isso não é segredo para ninguém, mas essa tecla precisa ser sempre batida como forma de fazer o tema constantemente vir à tona até que, algum dia, ele seja realmente posto em prática.

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on TumblrShare on Google+Email this to someone
RedaçãoRelato: Memórias daquele que pertence à Casa do Estudante de Caicó