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Por mais direitos, taxistas caicoenses reivindicam melhorias no setor

Em Economia/Negócios por RedaçãoDeixe um comentário

Já parou para imaginar quantos taxistas possuem em Caicó? Segundo um deles, Rafael Medeiros (foto abaixo), 27 anos, a conta está baseada em cerca de 400. Isto mesmo, 400 taxistas! O surpreendente número pode ser mensurado através das cinco principais praças da cidade: Rodoviária, Mercado Público, Escola Estadual Senador Guerra, Hotel Guanabara, Hospital Tiago Dias e Praça Manoel Félix. Apesar de tamanha representatividade, a classe não possui um sindicato ou cooperativa que lute por seus direitos, o que dificulta a conquista por melhorias na área.

Para melhor compreender as reais necessidades da classe, fomos até um dos pontos mais populares, localizados na Rodoviária da cidade, e por lá conhecemos alguns deles. “Um sindicato melhoraria demais porque seria a nossa voz junto à Prefeitura. O taxímetro, por exemplo, facilitaria as nossas vidas porque hoje em dia tudo é baseado no combinar de preços. É comum no meio da corrida, o passageiro pedir pra parar em um determinado lugar e fazer a gente esperar por longos minutos, isso nos prejudica porque poderíamos estar fazendo outra corrida”, acrescenta Rafael, taxista há seis anos.

Foi como moto-taxista que ele teve a sua primeira experiência no mercado de trabalho, após concluir os estudos no colégio, logo depois conseguiu comprar um carro e iniciar no ramo que está até hoje. “É complicado ser taxista em Caicó, caso você não tenha clientela fiel. Como estamos localizados na Rodoviária sempre aparece corrida pelo vai e vem de pessoas, mas precisamos complementar a renda com corridas à cidades vizinhas como São Fernando, Jardim de Piranhas, Timbaúba dos Batistas, Serra Negra do Norte e outras aqui por perto”, assegura.

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Já para o Seu Chicão (foto a seguir), 60 anos, e taxista há apenas seis por causa da idade. “Minha primeira profissão foi sendo caminhoneiro, onde permaneci por 32 anos. Larguei para ser taxista em razão da idade e com o perigo das estradas, abandonei. Ao menos agora, estou em casa todos os dias e todas as noites, sendo bem melhor pra mim”, conta.

Ele concorda que a criação de uma cooperativa viria a calhar para todos do ramo. “Os moto-taxistas já possuem uma cooperativa própria, apesar de não ser muita coisa, já consegue lutar pelos direitos deles e garantir uma força junto a Prefeitura. Eles já conseguiram estabelecer, por exemplo, uma tabela em que a corrida do Centro a algum Bairro é R$ 3, já sendo de um Bairro a outro Bairro, passando pelo centro, fica a R$ 5″, resume.

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Diante deste caso, ele cita as principais dificuldades enfrentadas: “A não utilização do taxímetro piora muito a situação, a fiscalização da cidade só vem em cima dos taxistas da cidade, enquanto que outros de cidades vizinhas estão trabalhando aqui sem nenhuma legalização. Ainda assim só sobram impostos pra gente pagar: alvará de funcionamento e ISS”, indica.

Como forma de complemento de renda, Seu Chicão afirma que existem três épocas do ano que precisam trabalhar pra ganhar pelo ano inteiro: “Carnaval, Festa de Sant’Ana e Final de Ano. Pronto, estas três datas são as que a gente precisa se virar pra garantir dinheiro pelo ano inteiro. A gente chega a ganhar três vezes mais do que em um mês normal, mas também a gente faz corridas pra fora. Eu mesmo viajo pra Recife, Natal, João Pessoa e Fortaleza porque se for depender somente da praça, a gente nem se mantém”, conclui.

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Diante dessa realidade atual, a perspectiva que resta à classe é a união em prol do bem coletivo dos taxistas da cidade. Ficando claro que, sem a criação de uma cooperativa, não há como conquistar melhorias. No entanto, cabe ao poder público unir forças junto a esses profissionais para garantir os benefícios mais urgenciais e fazê-los prosperar junto à economia local. Afinal, uma mão lava a outra e as duas batem palmas.

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