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“Ninguém se iluda” – O texto lúcido e realista assinado por Padre Gleiber sobre a seca no Seridó

Em Histórias por RedaçãoDeixe um comentário

“Em mais de trezentos anos vivendo no semiárido, nós tínhamos que aprender a conviver com o fenômeno da seca. Sertanejos, tantos homens quanto mulheres, olham para o céu, à procura de sinais que digam se vai haver inverno ou não. Essas experiências não estão, propriamente, a olho nu.

É preciso envolvimento com a terra para que, com um olfato apurado, o cheiro da chuva seja sentido quando o inverno ainda está longe. Mesmo com todo o aparato científico, o sertanejo ainda desconfia da dogmática previsão do tempo. A meteorologia pode ter muita gente sabida, mas o sertanejo também tem sua ciência, apesar de a natureza estar muito desertificada, graças à ganância do ser humano que a vem destruindo, queimando, por exemplo, a vegetação da caatinga.

Nessa queima, é garantida a subsistência a tantos que trabalham em atividades que parecem justificar a combustão de nossa mata. E depois de amanhã? O que será de nós, do sertão, do peba, do tejo, dos preazinhos, das aves e das raposas? Acabei de saber, pelas redes sociais, que um sinal de inverno vem chegando ao Seridó. Chove em Caicó e em Florânia. (Pareço sentir o cheiro da chuva!)

Mesmo que haja um inverno abundante, que reponha o volume de todos os nossos reservatórios, ninguém se iluda: não temos água de sobra! É preciso – vimos isso! – economizar cada água. Não sabemos fabricar o precioso líquido. Se não economizar, vai faltar, de novo. Mais cedo ou mais tarde, vai chover e tudo o que é de açude, barragem e barreiro vai sangrar.

Depois dessa estiagem prolongada, penso que, no Seridó, a engenharia e a arquitetura, por exemplo, vão ser reformuladas: projetaremos nossas construções de uma forma que apare a maior quantidade de chuva possível de ser armazenada, sem riscos. Ninguém se iluda: quando estiver tudo cheio, temos que aprender a reduzir, reutilizar e reciclar a água. Ou será que não aprendemos?!”

Por: Gleiber Dantas de Melo em 17.12.2015
Foto: Suerda Medeiros

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