tharsisnobrega_collecione_capa

Jovem caicoense realiza sonho de infância e está se tornando piloto de avião

Em Histórias por RedaçãoDeixe um comentário

Com apenas 24 anos, o jovem Thársis Nóbrega está concretizando um sonho de infância: se tornar piloto de avião. Após uma temporada nos Estados Unidos se profissionalizando no setor, atualmente ele possui o título no segmento comercial da FAA (Federal Aviation Administration, considerada a ANAC da nação americana).

Com 260 horas de voo, ele já traz consigo o certificado para a operação de aviões multimotores (que possuem mais de um motor) e o referente à condições de voo por instrumentos (modalidade de voo onde não é preciso ver o lado de fora do avião, já que toda a navegação é feita se baseando na interpretação do painel da própria aeronave).

tharsisnobrega_collecione_04

Deste modo, Thársis passou por todas as etapas necessárias para atuar profissionalmente, desde o curso de Piloto Privado, onde se aprende os fundamentos do voo, até receber sua licença de Piloto Comercial. Collecione bateu um papo com Thársis e apresenta também a seguir alguns cliques de sua experiência nos EUA.

Collecione: A partir de que momento da sua vida você decidiu que seria piloto de avião? Quais as primeiras recordações e depois qual o momento que você teve a certeza que seria isso mesmo como profissão?
Thársis: Essa é provavelmente a pergunta que mais me fazem quando falo que sou piloto, e também a que eu tenho mais dificuldade de responder com precisão, porque nunca houve um momento claro em que eu pensei em ser piloto; a sensação é que eu sempre soube que seria isso. Uma das minhas primeiras recordações envolvendo aviação é do meu primeiro voo, que aconteceu quando Zenaide, que tinha uma agência de turismo, organizou um voo local em Caicó durante a Festa de Sant’Ana. Queria muito lembrar em que ano foi, mas arrisco dizer que eu tinha uns 5 anos de idade (1996?). Como o contato com aviação no Seridó sempre foi muito pouco, tenho muitas recordações de aviões de brinquedo, miniaturas de alguns modelos, jogos de computador que envolviam avião, etc. Acho que até minha brincadeira favorita de infância, que era soltar pipa, era um reflexo dessa minha paixão por máquinas voadoras, já que a pipa era meu único brinquedo que conseguia voar.

tharsisnobrega_collecione_02

Collecione: Do fim dos estudos na escola para o ingresso no curso. Como foi esse processo? Houve uma preparação? Demorou quanto tempo?
Thársis: Sim, levou um tempo para que conseguíssemos realizar esse sonho. Durante esse processo, sempre reparei que quando chegava a época de escolher um curso de universidade, quase que todo mundo segue para cursos que estão disponíveis por aqui e que são mais tradicionais. Não há nenhum problema nisso, mas muitas vezes alguns estão lá apenas para satisfazer a vontade dos pais ou para não sair da zona de conforto, sem que aquela carreira acadêmica seja do próprio interesse. Pelo fato de eu ter escolhido um curso não muito conveniente para nossas condições, passou um tempo até que tivéssemos os meios de fazer acontecer. O que eu sabia, o tempo todo, é que eu queria fazer algo pelo qual sempre fui apaixonado.

tharsisnobrega_collecione_03

Collecione: Você chegou recentemente dos EUA, nos conte a experiência por lá.
Thársis: A experiência que eu tive nos Estados Unidos não poderia ter sido melhor. Até mesmo antes de vir embora, mesmo já estando lá há um tempo, ainda me impressionava com a qualidade e a estrutura aeronáutica que o americano tem. Desde serviços de tráfego aéreo até às condições físicas dos aeroportos (e a quantidade deles – tem muitos aeroportos!). É de se espantar como a cidade onde eu morava, pequena e de 16 mil habitantes, tinha um aeroporto extremamente movimentado, que recebia desde aviões pequenos até jatos de multimilionários, a qualquer hora do dia. Não é à toa que os Estados Unidos são reconhecidos por terem a maior aviação do planeta e foi muito legal poder se formar piloto lá, porque além de ser uma experiência extraordinária, sua qualificação e habilitação profissional passa a ser reconhecida mundialmente.

tharsisnobrega_collecione_01

Collecione: Quais os próximos passos que pretende alçar?
Thársis: De volta ao Brasil, é preciso passar por algumas etapas para converter sua licença americana às exigências da ANAC. Isso inclui uma prova de regulamentos, dado que as regras que regem a aviação lá e cá, embora similares em muitos pontos, tem diferenças e é preciso conhecê-las. Depois da prova de regulamentos, é preciso fazer uma prova prática com um examinador credenciado pela ANAC, mas é algo que algumas poucas horas de voo resolvem. Embora eu tenha habilitação comercial nos Estados Unidos, o que tecnicamente me habilita a ganhar dinheiro com a profissão, não posso exercer lá, porque não tenho permissão para trabalhar – meu visto era de estudante. Com a carteira brasileira em mãos, posso conseguir emprego (se o mercado estiver a favor). Embora meu foco seja a aviação de linha aérea, os primeiros empregos geralmente são numa aviação menor, em taxi aéreo, dando instrução de voo, etc. Digo “geralmente”, porque às vezes aparece oportunidade em empresas maiores para quem está começando, e isso depende de alguns fatores de mercado. Como terei tanto a carteira brasileira quanto a americana, é possível também fazer traslados de aviões dos Estados Unidos para o Brasil (ou o inverso), já que você consegue atender às regras aeronáuticas dos dois países. É um excelente começo!

E a gente por aqui fica na torcida!

Toda sorte, Thársis!

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on TumblrShare on Google+Email this to someone
RedaçãoJovem caicoense realiza sonho de infância e está se tornando piloto de avião