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Entrevista: Padre Edson se despede oficialmente da Catedral de Sant’Ana

Em Caicó por Gláucia LimaDeixe um comentário

A noite deste domingo, 8 de Fevereiro, foi marcada pela despedida do Padre Edson Medeiros da Paróquia de Sant’Ana e o aniversário de 14 anos como sacerdote. A ocasião foi de muita emoção e homenagens que guardarão para sempre a catedral como sua primeira casa.

O paroquiato de Padre Edson Medeiros sucedeu o do Monsenhor Antenor e teve como principais características as reformas estruturantes nos templos e imagens da Paróquia, como também o crescimento do trabalho pastoral, com o incremento de diversas pastorais. Na íntegra, confira a entrevista concedida ao Blog Gláucia Lima.

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Gláucia Lima: Como o senhor recebeu essa determinação de mudança de paróquia? Veio na hora certa?
Padre Edson: Com a chegada do Bispo Dom Antônio já se ventilava a ideia de se fazer um rodízio entre os padres e as paróquias. Eu, de alguma forma, já vinha me preparando para este momento que não é fácil, mas faz parte da dinâmica da igreja e ajuda a comunidade a crescer. O próprio Papa convida a igreja a sair das estruturas caducas para um espírito mais missionário. Abracei esse novo espírito de igreja em saída.

Gláucia Lima: Qual o maior desafio que o senhor passou a frente da paróquia? Teria sido a reforma e interdição da Catedral?
Padre Edson:  O primeiro desafio foi organizar a Festa de Sant’Ana porque as pessoas associavam muito ao Padre Antenor. E com razão. Até porque ele deu tudo de si e fazia muito bem a festa. Eu tive um certo receio de realizar a primeira. Então fui convidando pessoas para organizar e no final deu certo. O segundo foi à reforma da Catedral que, graças a Deus, concluímos com muito brilhantismo. Sou um padre de fé e todos os dias eu pedia: Deus provê, Deus proverá, sua misericórdia não faltará. E não faltou. Eu acredito muito na força da oração e nessa jaculatória. Os mais próximos sabem do milagre que aconteceu quando só se restava R$ 50 mil no mês de dezembro de 2010 e eu não sabia como continuar, e, de repente, alguém me ligou e disse: Padre, é questão de honra ajudar na continuidade desta obra.

Gláucia Lima: Como foi também suceder seu primo Monsenhor Antenor na administração da paróquia e como foi a relação de vocês?
Padre Edson: Apesar de sermos Salvinos, minha relação com Monsenhor sempre foi muito fraterna. Como ele gosta de brincar, nunca pensei que duas pessoas de personalidade forte dessem tão certo. Vencemos os limites de temperamento, os tipos de visão de igreja e deu muito certo a parceria. Tanto que quinta-feira ele estará em Jardim de Piranhas participando do inicio do meu pastoreio lá.

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Gláucia Lima: O senhor também teve uma proximidade muito grande com Dom Delson. Chegou a ser Vigário Geral no bispado dele. Como foi essa experiência?
Padre Edson: Quero lhe dizer, entre aspas, que Dom Delson foi amor à primeira vista. É um grande amigo e incentivador. Foi quem nos momentos mais cruciais da reforma da igreja esteve ao meu lado me ajudando e motivando com aquele jeito silencioso e simples. Conversávamos muito, tínhamos muita abertura um com o outro. Em recente visita a Caicó ele me disse: sinto muita falta das nossas partilhas na Igreja. Eu guardarei Dom Delson pra sempre em meu coração.

Gláucia Lima: Grandes feitos também aconteceram no período em que o senhor foi pároco, como a restauração das imagens, o recebimento do título de patrimônio imaterial do Brasil pela Festa de Sant’Ana. Quais outros feitos o senhor pode destacar e a que se deveu todo esse sucesso?
Padre Edson: Nós também tivemos a missão de concluir a Igreja de Santa Marta de Betânia, o Santuário do Rosário, o Centro de Pastoral da Vila Altiva e no futuro, certamente o Padre Alcivan, que é um grande empreendedor, vai ajudar a realizar o sonho daquela comunidade. As imagens da nossa paróquia também foram restauradas. A própria estruturação dos movimentos religiosos e patorais. A minha marca sempre foi e será a evangelização e estruturação dos movimentos religiosos e pastorais, dos setores missionários. Gosto demais de estar como povo de Deus. Eu credito no protagonismo dos leigos.

Gláucia Lima: Visivelmente o senhor foi um padre que valorizou a pastoral familiar. Quais outros destaques o senhor dá ao trabalho pastoral?
Padre Edson: Em 2001 nos trouxemos o Movimento das Equipes de Nossa Senhora. E hoje, com a graça de Deus, são mais de cem casais espalhados nas quatro paróquias da cidade de Caicó, além da Juventude Missionária e o próprio EJC que foi realizado em Caicó e tantas outras frentes de trabalho. Como diz o Evangelho: Fizemos o que devíamos fazer. É obrigação nossa enquanto batizados.

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Gláucia Lima: Quais suas expectativas para a posse em Jardim de Piranhas?
Padre Edson: Pretendo construir e edificar o povo de Deus naquela cidade que no próximo ano vivenciará o Jubileu de Ouro da Paróquia. Quero, desde já, ir organizando os mínimos detalhes pra que este momento seja vivenciado com muita ação de graças e festa.

Gláucia Lima: Qual o conselho que o senhor da ao novo pároco de Sant’Ana? Como ele deve agir para garantir um bom pastoreio?
Padre Edson: Padre Alcivan é bastante experiente e de muito valor. Esses dias eu pude recordar as palavras de sua mãe quando foi deixa-lo no seminário e olhou pra Dom Heitor dizendo: Eu vim deixar o que na minha casa eu tenho de melhor que é meu filho pra ser ofertado à igreja. Ele é um padre que inspira muita confiança, é amigo, dos irmãos padres e está sempre presente. Acolhe com os olhos, a alma e o sorriso. Não tenho dúvida que ele será um grande pároco, levando em consideração as forças vivas dessa paróquia que são os leigos.

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