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De Caicó à Nova Iorque: Júnior Vale e a experiência de estudar nos EUA

Em Caicó, Cultura, Histórias por Redação3 Comentários

Ele é um bom e “velho” conhecido nosso. Júnior Vale foi um dos grandes responsáveis pela estruturação da Revista Collecione, em sua fase inicial, lá em meados de 2011. Chegou de fininho, conquistou a equipe até consolidar-se no posto de diretor de criação. Nada mal pra quem na época tinha seus 19 anos. Quem o conhece enxerga a sua preciosidade!

A gente sabia que ele ia – e muito! – longe, e num é que foi? Atualmente morando nos Estados Unidos, Juninho topou fazer uma espécie de Diário de Viagem da sua estadia pela terra do Tio Sam e abrir o jogo sobre a experiência que está vivendo. Estudante de Publicidade na UFRN e de Marketing na St. John’s University, em Nova Iorque, apesar dos “somente” 22 anos, ele já tem muita história boa pra contar.

Como surgiu a oportunidade de ir morar em NYC? Qual o nome do projeto que o levou até aí e quais as etapas que você precisou passar para conseguir este feito? 

Foram 3 etapas: me candidatei e fui aprovado pra participar do Ciência sem Fronteiras, um programa do Governo Federal que financia um período da graduação de estudantes brasileiros no exterior. Depois, eu tive que ser selecionado (baseado em informações detalhadas que eu forneci) por uma universidade nos EUA (o país eu pude escolher, a universidade não). Por último, o processo comum a quem viaja para lá: o visto. 

O processo foi bem longo e exaustivo, quase um ano de dedicação e espera. Mas valeu a pena, quando o sim chegou veio direto de uma universidade em Nova Iorque. Eu não poderia estar mais feliz, é um dos maiores mercados pra a minha área profissional (publicidade).

 

Qual foi a sensação de trocar o RN por NYC? A mudança foi brusca e quais os aprendizados que você está tendo que equilibrar para manter a mente sã diante de tantos acontecimentos?

No RN, eu não tinha do que reclamar. Eu ia bem na faculdade, trabalhava, tinha meus amigos e família por perto. Tudo que eu mais desejava, tanto que passei a me sentir acomodado e quis tentar algo novo; bem nesse momento apareceu a oportunidade de morar fora. 

Muita gente tem uma fantasia com Nova Iorque e adora apontar que fora do Brasil tudo é melhor. Mas quando você vem pra morar, a realidade é outra. Mesmo no começo, quando tudo é mais bonito e novidade, eu já tinha muitas situações delicadas pra lidar ao mesmo tempo. 

Sofri demais com adaptação, vários imprevistos e com a falta de quem eu conhecia por perto. Até minha performance acadêmica foi afetada, não importava o quanto eu me esforçasse. No terceiro mês, comecei a fazer terapia e não parei. Refleti muito e foi aí que redescobri a minha força de caicoense e consegui superar desafios e conquistar o que veio pela frente.

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Há quanto tempo está por aí?

Há pouco mais de um ano.

 

Como é o seu dia a dia? Quais são os seus afazeres e o que gosta de fazer nas horas vagas?

Como as aulas já acabaram, meu dia é bem focado nos estágios. Eu começo às 10 da manhã e alguns dias não saio antes das 8 da noite. Eu aproveito ao máximo meu tempo livre. Dois hábitos são sagrados: café da manhã na Times Square (trabalho ali próximo) e almoço no gramado de um parque vizinho. 

Nos finais de semana, aproveito pra conhecer lugares novos aqui mesmo ou em outras cidades, visitar exposições, assistir musicais e encontrar com os amigos. Um momento só meu é no sábado à tarde, quando saio pra ler no High Line, um dos meus parques preferidos e meu vizinho. É assim que eu retorno ao meu ritmo natural, é difícil viver na cidade grande se você só trabalha.

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Quais fatos mais marcaram a sua estadia até hoje?

Vou tentar ser breve… 

Minha maior realização foi ser convidado pra participar da competição nacional dos estudantes de publicidade. Fiquei muito feliz, mas logo no começo das aulas fui vítima de sabotagem por uma colega. Meu relacionamento com os orientadores do projeto e os colegas ficou muito pior e eu quase fui expulso. Depois de resolvido o mal entendido, ganhei uma função importante no grupo e ajudei a posicionar a escola em segundo lugar no nosso distrito, o mais competitivo do país. 

Esses colegas e até os professores hoje são meus amigos íntimos. A visibilidade dessa competição me trouxe contatos profissionais que eu jamais imaginei alcançar. Hoje sou membro da Federação Americana de Publicidade, fui homenageado por uma sociedade honorária e consegui propostas de estágio, emprego e até bolsa de estudos, caso eu queira voltar. Foi um mérito conquistado com muito esforço. 

Como uma forma de agradecimento pelas oportunidades conquistadas, raspei o cabelo pra arrecadar fundos que vão ajudar a financiar pesquisas sobre e tratamento contra o câncer infantil no mundo todo. Montei um time dentro da faculdade e conseguimos arrecadar uma boa quantia. Nós apadrinhamos crianças em tratamento, que foram láno momento do corte. Foi muita emoção. 

Outros momentos foram quando passei um mês na Califórnia e realizei o sonho de conhecer vários lugares e pular de paraquedas; quando um artista de rua me viu deprimido no metrô e fez um desenho meu pra me animar; e quando eu fui selecionado pra trabalhar com a equipe da Beyoncé, mas infelizmente o convite veio tarde demais.

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Se pudesse elencar algumas palavras-chaves sobre a experiência ou uma frase, qual (is) seria(m)? E o que pretende levar para a sua vida?

Definitivamente, a primeira palavra é acreditar. Eu jamais imaginei que estaria aqui hoje e que alguém poderia admirar o que no Brasil eu fazia quietinho. A maior lição é que eu devo acreditar em mim, independente do que aconteça.

Gratidão, respeito, humildade, equilíbrio, generosidade, companheirismo são outras. 

 

Quando está programada a sua volta? O que pretende fazer neste retorno?

Eu volto ao Brasil em setembro. Depois de aproveitar a família e minha cidade linda, minha primeira tarefa é formar na UFRN, mal posso esperar.

Eu também quero trabalhar pelo meu país e recompensar o investimento que foi feito em mim. Pra mim, a melhor maneira de exercer gratidão é criar possibilidades pra que outras pessoas tenham acesso às mesmas oportunidades que você teve, ou pelo menos ajudá-las com o que você aprendeu.

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RedaçãoDe Caicó à Nova Iorque: Júnior Vale e a experiência de estudar nos EUA
  • Mário

    Saber que esse estudante caicoense está realizando essas atividades e nos trazendo melhores exemplos para a nossa cidade me deixa realmente contente. Seria maravilhoso que os demais jovens de Caicó tivessem, com mais frequência, influências positivas como esta! As mídias caicoenses devem dar ênfase às exemplares experiências como as do estudante Junior, para mudar o foco da pobre cultura da alienação que impera em Caicó há mais de uma década por pessoas egoístas que visam apenas o próprio lucro financeiro promovendo “eventos” desnecessários que influenciam negativamente uma massa de jovens que deveriam estar sendo influenciados por atividades saudáveis. (Até quando a nossa sociedade será alienada com eventos desnecessários onde são cobrados valores altíssimos à população por um espetáculo pobre, onde as drogas reinam e os jovens são iludidos por uma cultura infeliz e destrutiva?) Infelizmente a nossa realidade é outra! TODOS OS ANOS OS JOVENS SÃO DESTINADOS A EVENTOS DE MASSA DE BAIXÍSSIMA QUALIDADE CULTURAL, MAS NÃO SÃO DESTINADOS AO FREQUENTAR O TEATRO, BIBLIOTECAS, UNIVERSIDADES (…). Numa comunidade onde o Teatro Municipal foi abandonado e excluído das atividades culturais da cidade, o que se espera? Jovens brilhantes como o nosso querido Júnior? Chega o fim de semana em caicó, pra onde vamos? O nosso Teatro há anos se encontra fechado, abandonado pelos responsáveis que apenas se preocupam com o lucro extraído dos próprios eventos. PORQUE O RESPONSÁVEL PELA ADMINISTRAÇÃO DO TEATRO MUNICIPAL DE CAICÓ NÃO SE PREOCUPA EM ZELAR E REALIZAR GRANDES EVENTOS NESSE TEATRO QUE ESTÁ ABANDONADO E ESQUECIDO DAS SUAS REAIS FUNÇÕES? Mais uma Festa de Santana e não tivemos nenhum grande evento realizado no Centro Cultural Adjunto Dias. A preocupação foi destinada a um avento que trouxe, mais uma vez a banda Aviões do Forró onde foi cobrava valores altíssimos à população. E O TEATRO CONTINUA ONDE ESTÁ: ABANDONADO. O estudante Júnior citou muito bem na sua entrevista: “Nos finais de semana, aproveito pra conhecer lugares novos aqui mesmo ou em outras cidades, visitar exposições, assistir musicais e encontrar com os amigos.” Então precisamos ir a Nova York para ter acesso ao Teatros e poder desfrutar de suas atividades culturais? Peçam, pelo o AMOR DE DEUS, para que o responsável pelo nosso Teatro seja mais HONESTO e GENEROSO com a nossa cidade e invista no Teatro Adjunto Dias a publicidade, a atenção, o zelo, e o dinheiro que ele disponibiliza para a realização dos seus eventos realizados em Caicó!! Ninguém publica nada à respeito!! Um grande descaso!! E assim vamos assistindo à tragédia de uma sociedade. Estou ciente das minhas palavras, sou caicoense e sei o que estou escrevendo. Vou seguir torcendo para que mais jovens como Junior venham a acontecer em Caicó e região. Parabéns ao estudante Junior, que se livrou da alienação que impera na sua terra-natal, desejo-lhe as maravilhas do sucesso pessoal e profissional, parabéns por esta reportagem! É uma pena não poder tomar café ou ler um bom livro na nossa Time Square (Teatro Municipal de Caicó Adjuto Dias). O pedacinho do Céu está mais pra inferninho, “ok, my friends”?

    • Mário

      Comentário Retificado:

      Saber que esse estudante caicoense está realizando essas atividades e nos trazendo melhores exemplos para a nossa cidade me deixa realmente contente. Seria maravilhoso que os demais jovens de Caicó tivessem, com mais frequência, influências positivas como esta! As mídias caicoenses devem dar ênfase às exemplares experiências como as do estudante Junior, para mudar o foco da pobre cultura da alienação que impera em Caicó há mais de uma década por pessoas egoístas que visam apenas o próprio lucro financeiro promovendo “eventos” desnecessários que influenciam negativamente uma massa de jovens que deveriam estar sendo influenciados por atividades saudáveis. (Até quando a nossa sociedade será alienada com eventos desnecessários onde são cobrados valores altíssimos à população por um espetáculo pobre, onde as drogas reinam e os jovens são iludidos por uma cultura infeliz e destrutiva?) TODOS OS ANOS OS JOVENS SÃO DESTINADOS A EVENTOS DE MASSA DE BAIXÍSSIMA QUALIDADE CULTURAL, MAS NÃO SÃO DESTINADOS AO FREQUENTAR O TEATRO, BIBLIOTECAS, UNIVERSIDADES (…). Numa comunidade onde o Teatro Municipal foi abandonado e excluído das atividades culturais da cidade, o que se espera? Jovens brilhantes como o nosso querido Júnior? Chega o fim de semana em caicó, pra onde vamos? O nosso Teatro há anos se encontra fechado, abandonado pelos responsáveis que apenas se preocupam com o lucro extraído dos próprios eventos. PORQUE O RESPONSÁVEL PELA ADMINISTRAÇÃO DO TEATRO MUNICIPAL DE CAICÓ NÃO SE PREOCUPA EM ZELAR E REALIZAR GRANDES EVENTOS NESSE TEATRO QUE ESTÁ ABANDONADO E ESQUECIDO DAS SUAS REAIS FUNÇÕES? Mais uma Festa de Santana e não tivemos nenhum grande evento realizado no Centro Cultural Adjunto Dias. A preocupação foi destinada a um avento que trouxe, mais uma vez a banda Aviões do Forró onde foi cobrado valores altíssimos à população. E O TEATRO CONTINUA ONDE ESTÁ: ABANDONADO. O estudante Júnior citou muito bem na sua entrevista: “Nos finais de semana, aproveito pra conhecer lugares novos aqui mesmo ou em outras cidades, visitar exposições, assistir musicais e encontrar com os amigos.” Então precisamos ir a Nova York para ter acesso ao Teatros e poder desfrutar de suas atividades culturais? Peçam, pelo o AMOR DE DEUS, para que o responsável pelo nosso Teatro seja mais HONESTO e GENEROSO com a nossa cidade e invista no Teatro Adjunto Dias a publicidade, a atenção, o zelo, e o dinheiro que ele disponibiliza para a realização dos seus eventos realizados em Caicó!! Ninguém publica nada à respeito!! Um grande descaso!! E assim vamos assistindo à tragédia de uma sociedade. Estou ciente das minhas palavras, sou caicoense e sei o que estou escrevendo. Vou seguir torcendo para que mais jovens como Junior venham a acontecer em Caicó e região. Parabéns ao estudante Junior, que se livrou da alienação que impera na sua terra-natal, desejo-lhe as maravilhas do sucesso pessoal e profissional, parabéns por esta reportagem! É uma pena não poder tomar café ou ler um bom livro na nossa Time Square (Teatro Municipal de Caicó Adjuto Dias). O pedacinho do Céu está mais pra inferninho, “ok, my friends”?

      • Redação

        Isso mesmo, Mário. Ficamos felizes em saber que estamos despertando discussões. Obrigado pelo acesso e comentário. Volte sempre! :D