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Conheça Dávila, transexual caicoense que se filiou a partido político e entregou as suas pretensões

Em Novidades por RedaçãoDeixe um comentário

Na última sexta-feira, 11 de setembro, ocorreu um encontro do Partido Socialista Brasileiro (PSB) na Câmara Municipal de Caicó que contou ainda com a presença da presidente estadual da legenda, a ex-governadora do estado, Wilma de Faria. Na ocasião foram apresentados os novos filiados, dentre os quais, Dávila Medeiros, transexual caicoense de 28 anos que faz sucesso na internet com ensaios fotográficos e sendo weber strippter, em simultâneo ao trabalho como maquiadora.

Batemos um papo com Dávila a respeito de suas pretensões políticas, preconceito, movimento LGBT (sigla designada para lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros) e muito mais. Confira a seguir:

Collecione: Quando que a Dávila surgiu em sua vida? Você poderia comentar um pouco sobre o seu nome anterior? E quando tomou a decisão de querer ser chamada de Dávila?
Dávila: “Na verdade, a Dávila sempre existiu. Minha mãe me contava que eu, aos cinco anos de idade, já demonstrava sinais de comportamentos femininos. Sempre preferia bonecas à carros ou bolas, queria estar na presença de meninas, usava uma toalha na cabeça para dizer que eram cabelos longos, assim como também batons, blushes e sombras. Com o passar do tempo, eu percebi que era transexual e decidi assumir a minha alma. Meu nome de batismo é Darlielton e foi escolhido de última hora porque minha mãe até o momento do meu nascimento acreditava que seria uma menina e o nome já estava decidido: Dávila. Não tenho vergonha de esconder o meu nome de batismo, mas não me sinto bem ao ser chamada por ele e nem em ser tratada no gênero masculino. Já está em processo de tramitação na justiça a troca definitiva de Darlielton para Dávila em meus documentos oficiais. Por enquanto, Dávila continua sendo meu nome social”.

Collecione: Recentemente você se filiou ao PSB, como cidadã o que você espera contribuir para a sociedade com este ato? O que te motivou a ingressar na política?
Dávila: “Quem não conhece um livro, seria melhor lê-lo e interpretá-lo, e não somente julgá-lo pela capa. Eu tive uma vida muito difícil que me fez hoje uma grande e consciente cidadã. Eu busco o que todos em Caicó almejam: mudança. Procurei um partido onde a presidente fosse uma pessoa que, na política, tivesse feito mais por Caicó. Vilma de Faria é uma grande cuidadora da nossa cidade, e agora quero poder fazer a diferença que não vejo há anos e isso inclui trabalhos em políticas públicas, mostrando aos caicoenses que podemos lutar pelos nossos direitos e acabar com essa violência e tristeza que nossa Caicó se encontra”.

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Collecione: O fato de você ser uma transexual causa algumas polêmicas em alguns aspectos de sua vida. A política, por exemplo, é um setor conservador e de outras diversas polêmicas. Como você lida com as questões que envolvem preconceito?
Dávila: “Infelizmente o fato de ser transexual causa polêmica em todos os aspectos. Isso fica mais claro ainda na política, apesar de que é o meio onde existe mais coisas erradas. Não defino o setor como ‘conservador’ e sim como hipócrita. Nos grupos LGBT somos alvos de alguns deputados que dizem representar a sociedade brasileira com a família que eles chamam de tradicional (homem e mulher) e usam de má fé as religiões criando religiosos perseguidores de uma minoria que, na verdade, busca direitos iguais e um futuro com menos preconceito. Isso jamais me tirará o direito de me ver como igual. Podem me chamar do que quiser, dizer o que quiserem, mas eu como cidadã sei que da minha capacidade e da minha honestidade. Então vou sim dar a cara a tapa”.

Collecione: Você teme alguma represália de grupos políticos conservadores a seu respeito? Como você pretende lutar contra esses possíveis entraves?
Dávila: “A minha ação como cidadã vai me causar represálias de todas as partes e eu estou pronta para isso. Como estive a minha vida toda sendo atacada pelo preconceito. Fui forte para mostrar a sociedade de Caicó que sou do bem e que mereço carinho e respeito. Hoje sou transexual, mas sou cidadã, sou uma boa filha, uma boa cliente, uma esposa, uma dona de casa, sou mulher e me imponho como tal. Então para quem apanhou na rua por ser trans, para quem mal teve tranquilidade para estudar porque era chacota na escola, para quem era piadinha ao passar nas ruas, enfrentar isso só vai ser mais uma batalha na minha vida”.

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Collecione: Porque escolheu o PSB para se filiar? Quais serão as suas causas que você buscará lutar? Por quê?
Dávila: “Não sou partidária, porém cresci vendo essa questão entre os lados vermelho e verde em Caicó. Sempre admirei aqueles que realmente fizeram algo por Caicó, independentemente de partidos ou cores. Acredito que essa questão partidária foi o que a cada ano causou mais esse comodismo nas pessoas e menos ‘visão’ de que Caicó precisaria mudar. Hoje sinto que nossa cidade está como nunca esteve: Ilha de Sant’Ana abandonada, uma violência sem igual e muitas coisas que já sabemos que existem. Estou em um partido porque é uma necessidade para uma futura candidatura e não por amor”.

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