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Catedral de Sant’Ana: Uma igreja de vivos e de mortos

Em Caicó, Cultura por RedaçãoDeixe um comentário

Neste dia em que a edição 11 da Revista Collecione saiu do forno com matérias especiais sobre a Festa de Sant’Ana, fazemos questão de contar a você mais uma curiosidade da Catedral de Caicó. Do santuário, com construção iniciada nos idos de 1748, o que não falta é história pra contar, numa igreja marcada por missas, novenas, celebrações, promessas e enterros, muitos enterros.

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Talvez você nem saiba, mas o templo onde o seridoense celebra a sua alegria e a sua fé já foi também um cemitério. A prática de enterrar pessoas dentro de templos religiosos era usada pelos católicos para estarem mais próximos aos santos. O sepultamento no interior dos locais sagrados era sinal de prestígio para os devotos, e lá, na Catedral, repousam para a eternidade sob o manto de Sant’Ana algumas das principais figuras do Seridó antigo, e outras nem tão ilustres assim, desde Manoel Fernandes Jorge, benfeitor da construção da Matriz, até os mais desconhecidos escravos.

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Exemplo disso é o padre Francisco de Brito Guerra, que também dá nome ao Sobrado que sedia a nossa Casa da Cultura. Vigário da Freguesia de Sant’Ana por 42 anos, deputado e senador do Império, os restos mortais do sacerdote estão depositados num altar próximo à sacristia da Catedral, por trás do altar-mor onde está a venerada imagem da padroeira. Mais recentemente, quem também ganhou o seu lugar na sombra sagrada da avó de Jesus foi o padre Aderbal Vilar e o Monsenhor Walfredo Gurgel, que foi vigário da paróquia e chegou a ser governador do Estado.

Os mortos da Catedral revelam que a mais antiga igreja de Caicó não carrega a nossa história somente em suas paredes seculares, mas também debaixo do seu chão. Os locais mais próximos do altar eram oferecidos a pessoas de maior intimidade com a fé. Em primeiro lugar, estavam os padres, depois, pessoas com algum destaque nas irmandades ou organizações religiosas da época. O poder aquisitivo também podia servir de parâmetro para o sepultamento no espaço, no entanto prevalecia a fé. Os escravos, geralmente, eram sepultados na área externa da igreja.

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Um fato inusitado, entretanto, é que a Catedral não guarda somente túmulos de mortos. O Monsenhor Antenor Salvino de Araújo, que comandou a igreja por 47 anos, mesmo vivo e esbanjando lucidez, já tem o seu jazigo preparado dentro do templo. Ele mesmo escolheu o local e mandou preparar o túmulo em que deseja ser sepultado. “Tio Nonô”, como é chamado pelos amigos e familiares, justifica dizendo que nem depois de morto poderá se afastar de Sant’Ana.

A Catedral de Sant’Ana, portanto, pulsa vida, senão pela ressurreição da carne, como afirma a crença cristã, mas pela edificação da nossa própria história, contada pela Collecione aqui e nas tantas páginas de nossa revista, já disponível para você!

Por Augusto Maia

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