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A seca, a política e o constante sofrimento do povo de Caicó

Em Caicó por RedaçãoDeixe um comentário

Pode até parecer assunto batido, mas falar sobre seca nunca deixará de ser importante, ainda mais em nosso semiárido. Não há como deitar a cabeça no travesseiro e descansar em paz sem imaginar a situação de milhares de pessoas que todos os dias praticamente não têm acesso à água. Para quem pensa que esta é uma realidade distante, é aí que se engana.

Desde o ano passado que algumas cidades do Seridó, após os seus reservatórios hídricos secarem, já eram abastecidas através de carros-pipas. Mas o problema que só se avizinhava, acabou chegando até nós. Desde ontem, quarta-feira, dia 24, moradores de quatro bairros de Caicó começaram a receber água somente pelos ditos carros-pipa. Pelas torneiras, passa a saudade do que ficou para trás.

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Os bairros Alto da Boa Vista, Samanaú, Nova Caicó e Salviano Santos já sentem na pele o sofrimento escancarado pela falta d’água. A distribuição, realizada pela CAERN, dá direito a cada casa ter um fornecimento diário de duzentos litros de água por pessoa, e o líquido é levado a cada residência através de baldes e latas. Além do pouco volume no açude Itans e da baixa do rio Piranhas-Açu, a crise se agravou desde a terça-feira, dia 23, quando um problema técnico ocasionou um defeito numa válvula na comporta do açude de Coremas, na Paraíba, diminuindo a vazão de água que chega até Caicó.

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O agravamento da situação motivou a vinda até a cidade do diretor-presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN), Marcelo Toscano, que se reuniu com o prefeito Roberto Germano e informou que ainda essa semana uma equipe da Chesf, companhia responsável pela manutenção do equipamento danificado no açude de Coremas, estará verificando o problema da comporta, declarando ainda que o Governador Robinson Faria já está ciente da situação.

A classe política, aliás, parece não estar fazendo o seu dever de casa. Problema histórico do Nordeste, a seca sempre foi tratada por muitos como moeda de troca eleitoral. O coordenador da bancada federal do RN, deputado Felipe Maia (DEM), até convocou um encontro em Caicó com os demais parlamentares do Estado, para o próximo sábado, dia 27, com a intenção de debater a crise hídrica e visitar açudes da região. Mesmo muito tarde, já que o momento exige ações concretas e não mais debates, toda intenção, desde que boa, será sempre bem-vinda.

Acontece que, como se já não passasse do tempo, o encontro foi adiado em uma semana, e agora somente acontecerá no dia 04 de julho. O motivo será a celebração da missa de sétimo dia de falecimento do deputado estadual Agnelo Alves, marcada para o próximo sábado, em Natal e Parnamirim. Enquanto isso, o povo do sertão morre de sede. Some-se a tudo os frequentes atrasos na obra da Barragem de Oiticicas, a infindável demora para a conclusão da transposição do Rio São Francisco e a falta de projetos sérios e viáveis, a curto ou longo prazos, para a região que sofre com a escassez de água.

Seja por desperdício, uso inapropriado, falta de chuvas ou de planejamento, a situação só tem se agravado. Nosso coração sangra, já o Itans nunca mais sangrou, e o lamento sertanejo segue. Quando pro norte relampear, “a volta da asa branca” será canção de todos nós. A seca não haverá de vencer nossa cheia de esperança, mas precisamos agir, porque nem chuva tem caído do céu.

Por Augusto Maia
Fotos – Mural: Blog Sidney Silva / Foto 2: Reprodução via Blog Gláucia Lima

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